30 lições de um (quase) Whole30

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Sei que não sou nem nunca serei uma musa fitness. Amo comer, amo doce, amo pizza e to gostando de cozinhar. E foi por isso que aceitei o maior desafio alimentar da minha vida, proposto pela minha nutri, a Islanne Leal: o Whole30. Para quem não sabe, a Whole30 é um programa “que propõe mudar sua alimentação em 30 dias”, indo muito além de dietas e alimentação saudável, mas também envolvendo a personalidade do participante. No site nacional, eles explicam que alimentos como açúcar, grãos, derivados do leite e leguminosas podem ter um impacto negativo em sua saúde e performance, sem a gente perceber, como falta de energia, dores no corpo, mudanças físicas etc.

Para haver essa “desintoxicação“, é preciso retirar completamente da dieta tudo que pode prejudicar a saúde e o psicológico, como alimentos inflamatórios, de difícil digestão ou capazes de causar mudanças hormonais. Assim, a alimentação fica restrita ao que eles chamam de comida de verdade: carne, frutos do mar/peixes, ovos, muitos vegetais, frutas e gorduras boas, comidas com poucos ingredientes, todos pronunciáveis, ou o que não contém ingredientes, “já que alimentos naturais não precisam de ingredientes”. Por aqui você entende melhor e se aprofunda no assunto!

Achei tudo uma loucura e praticamente impossível de executar. Mas, após um longa conversa, topei o desafio não só pelo projeto #LarisNoivinha, mas porque eu estava a indisposição em pessoa, infeliz com o meu corpo e me sentindo inchada. Porém, como eu não malho pesado – geralmente o Whole30 é feito por praticantes de CrossFit – e passei 15 dos 30 dias sem poder fazer nenhuma atividade por conta da cirurgia, minha dieta foi adaptada pela nutri.

No meu caso, recebi “descontos” (por isso o ~quase~): tinha chás (verde, branco, cavalinha e hibisco – todos diuréticos) liberados, além do suco de limão. Podia acrescentar batata doce/inhame/macaxeira no almoço e, à tarde, fui autorizada a comer um punhado de castanha de caju ou uma mão de lascas de coco (já que o programa só possui três refeições diárias + pré ou pós-treino). E as frutas estavam liberadas no momento que a fome apertava.

Juro que nos primeiros dias achei que não fosse resistir. Seguidamente fui para alguns eventos (profissionais e pessoais) e as tentações foram grandes. Mas nunca estive tão focada e aguentei até o final do 30º dia. No 31º dia, voltei a fazer os exames lá na nutri. Os resultados? Fui do 60,2kg para 55,7kg, perdi 4,9kg de gordura, aumentei 300g de massa magra, baixei em 5,5% meu percentual de gordura e entrei na faixa “normal” de IMC. Todo esse tempo foi também de aprendizados, autodescobertas e sentimento de vitória.

Para vocês saberem como foi a experiência, relatei abaixo 30 fatos desse (quase) Whole30:

1. Todos os bolos do mundo aparecem. Juro. Acho que em 30 dias, recusei diretamente (eles estavam lá, de graça, lindos, na minha cara) uns 15.

2. Todos os convites pra delícias surgem. E por mais “light” que ela seja, você possivelmente não vai poder comer nada.

3. Você aprende a se contentar com o seu lanchinho da tarde enquanto a sala tá com cheiro de pastel.

4. Você sempre vai ter que explicar a sua dieta pros outros. Sempre. E eles sempre vão fazer perguntas como: “mas não pode nem um queijinho?!”

5. Seu jantar acaba sendo satisfatório (na maioria das vezes), mesmo se você dorme um tiquinho mais tarde.

6. As tentações dentro de casa são as piores. Elimine-as, pelo menos da sua vista.

7. Você aprende a ler rótulos e comemora quando encontra, por exemplo, uma polpa de tomate por um preço bacana.

8. Você sempre pensa em desistir, mas logo em seguida imagina: vou quebrar uma dieta que já aguentei por xx dias por uma _______? (Acrescente uma gordice que você ama de verdade)

9. Seu namorado não vai deixar de comer aquelas coisas que vocês amam. Mas ele vai sempre dizer que você tá ainda mais linda e não deve sair da dieta.

10. Você começa a dar valor a pequenas alegrias gastronômicas, como um tempero diferente ou um ingrediente novo na salada.

11. Sua mãe é uma das suas maiores sabotadoras. Ela sempre vai dizer: “mas um pedacinho não vai fazer mal!” Ou “só hoje!”. Não caia na dela, resista!

12. Porém, não adianta colocar a culpa em ninguém. Você é, ao mesmo tempo, seu maior incentivador e seu maior sabotador.

13. Por pouco você não adota “táticas” de presidiário e passa a anotar e riscar pausinhos na parede do seu quarto, contabilizando os dias.

14. Você vai sonhar com comida e com você quebrando a dieta. Tive uns 3 ou 4 e em todos eu acordei desesperada e faminta (mas feliz por ter sido apenas um pesadelo).

15. A sua lista de desejos só faz aumentar com o tempo. Até a última edição desse texto, a minha já tinha: bolos, tortas (doces e salgadas), pizzas, sushis, milkshakes, hambúrgueres, farofas, coxinhas, pipocas e chocolates, claro. Assim, no plural mesmo.

16. Aí, logo após acrescentar um item, vc pensa: “ok, não vou comer tudo isso de uma vez porque senão eu jogo tudo no lixo”

17. Comer fora fica mais complicado, já que as opções diminuem e os preços aumentam. Porém, você come mais em casa e gasta menos!

18. Programas de culinária são, às vezes, torturantes. Inclusive o Bela Cozinha, da Bela Gil.

19. As receitas que brotam no seu facebook viram foodporn. Mesmo que não esteja, a cena final, quando a criação é cortada, é processada em câmera lenta por você.

20. As idas ao supermercado ficam mais rápidas e práticas. Afinal, você só vai a dois setores: frutas/verduras e proteínas.

21. Você passa a comer mais devagar, para ajudar o cérebro e o estômago a se sentirem mais saciados. E ajuda em todo ciclo digestivo também!

22. Você vai ter a impressão de que pensa e fala sobre comida 24 horas por dia. E realmente é verdade.

23. As idas ao cinema ficam mais difíceis. Afinal, como é possível assistir um filme sem um saco de pipoca bem quentinha, crocante, cheirosa, salgadinha no colo?! Por isso, aposte em filmes bons (pelo menos, né…)

24. As pessoas percebem as mudanças do seu corpo. E comentam. E perguntam.

25. E mesmo se não perguntarem ou não falarem nada, acredite, elas aconteceram messsmo!

26. Você realmente faz certas descobertas do seu organismo. Eu, por exemplo, descobri que minha dor de cabeça não tem nada a ver com ingestão de “porcarias” (agora falta descobrir a real causa)…

27. Uma coisa acaba puxando a outra: o desinchaço/emagrecimento fazem com que você queira “modelar” o que ficou mais flácido, estimulando você a praticar atividades físicas.

28. É muita alegria quando você se olha no espelho e se sente bem. Aí não tem comida que faça você desistir!

29. O sentimento de vitória é incrível. Você percebe que é muito mais forte do que imagina e que a força de vontade é tudo. Em tudo.

30. A foto do antes e depois é motivo de orgulho e vc tem vontade de fazer um pôster para servir de inspiração pro resto da vida. Tipo essas minhas! 😀

antes e depois penteadeira amarela whole30

antes e depois penteadeira amarela whole30

Bom, é isso. Já comecei a segunda fase, de reintrodução dos alimentos (alternada com a dieta do Whole 30, por 15 dias) para, em seguida, fazer uma dieta “normal”, mas confesso que tá bem difícil e estou quase jogando a toalha. O segredo de tudo é lidar com bom humor e realmente encarar como um desafio de superação e autocontrole. Só não invente de fazer esse programa ou qualquer outro tipo de dieta sem recomendação e orientação de um nutricionista ou outro profissional da área, ok?! Ok!

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