Cultura em barro

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Se teve uma coisa que realmente me encantou nessa viagem à Caruaru foi o artesanato local. Parece clichê falar isso, mas às vezes precisamos parar de olhar o que é feito lá fora e dar uma atenção especial ao que é produzido por nossos artistas e artesãos.

As cores chamam atenção de quem passa

Despertei para essa questão quando, durante a visita à Caruaru (a 130km de Recife/PE) para 13ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana, fomos ao bairro Alto do Moura. Para quem ainda não conhece, o local foi tombado pela Unesco como patrimônio cultural e respira artesanato, fonte de renda de muitos moradores e duas famílias.

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É de lá o pioneiro na arte de transformar barro e argila em figuras do cotidiano da região, Vitalino Pereira, o Mestre Vitalino. O artesão sustentou sua família com o belo e respeitado trabalho. Hoje, sua residência é aberta à visitação e seu filho recebe os admiradores com mais arte.

A casa é um verdadeiro museu do Mestre Vitalino

O mestre passou à diante seu conhecimento e outros nomes surgiram. Atualmente, alguns artistas se destacam, como Mestre Elias Francisco dos Santos, Mestre Luiz Galdino e Mestre Luiz Antônio da Silva. O simpático senhor retrata também as mudanças em seu bairro e a visita de uma equipe cinematográfica à região. Resultado: bonecos com câmeras, médicos, automóveis etc. Em 1986, o discípulo do Mestre Vitalino esteve no Japão para participar, com 300 peças, de um festival de verão, dividindo atenção com artistas espanhóis, italianos chineses e mais 33 nacionalidades. Até terremoto o Mestre diz que enfrentou!

Criatividade em barro: Mestre Luiz Antônio

Há 55 anos, o Mestre Luiz Antônio começou a trabalhar com o barro, influenciado pelos seus pais. Depois da morte de Vitalino, Luiz sentiu-se na obrigação de dar continuidade ao trabalho do mestre. E avisa: “não vendo a arte de ninguém, mas também não copio!”