Canadá: Dúvidas sobre intercâmbio, estudos, trabalho, moradia, alimentação…

68
4335

No último dia 10, completaram-se três meses da minha vinda pra Montreal. Vim com o marido, que tá estudando muito e vai se tornar, em breve, um superprodutor musical (ele tá contanto toda a experiência dele no blog Ficando Surdo). Já fiz um curso de 10 semanas de jornalismo de revista na McGill e, em janeiro, vou fazer outros. Temos melhorado o inglês, desenferrujado o francês, e a experiência é, sem dúvida, única na vida. Eu já contei um pouco aqui e aqui sobre isso.

Muita gente vem me perguntar sobre a vida por aqui, o que tem melhor que o Brasil, se vale a pena investir em um intercâmbio no Canadá, como eu vim parar aqui, como é a questão do visto, da moradia, da alimentação…

Então hoje eu peço licença à minha querida amiga Aline Veloso, que me mandou uma entrevista imensa por email, pra publicar as dúvidas que ela tem sobre intercâmbio, porque deve ser as perguntas que muita gente também tem!

Vai ficar um pouco longo, mas serve como um bom banco de dados pra quaisquer dúvidas que possam surgir durante o processo de cada um.

O que é preciso pra conseguir visto de estudante e de trabalho? 

Estudante: você procura uma escola (de línguas, de formação em algo específico, tipo música ou design ou moda…) ou uma universidade e se candidata a uma vaga. Cada escola pede uma documentação diferente, mas a maioria vai pedir, no mínimo, comprovação de estudo (diplomas), histórico escolar, identidade, tudo traduzido pro inglês ou pro francês.

A tradução tem de ser feita com um tradutor juramentado (os dos Ceará estão listados aqui, com email e telefone), que vai te cobrar tipo R$ 50 a página de tradução. Essa documentação você manda pra escola, e, se ela te aceitar, vai te mandar uma carta-convite pra estudar lá. Se for na província do Quebec (onde eu tô), precisa mandar uma cópia da carta pro governo do Quebec, pra poder receber o CAQ (Certificat d’Acceptation du Québec), que é um documento que é a sua permissão pra estudar no Quebec.

O Quebec já te aceitou, agora falta o Canadá. Aí, com a documentação que você recebeu da escola, da província e mais alguns formulários (tem tudo no site do CSC-VAC), você entra com o seu pedido de visto de estudante canadense. Tudo é feito pelo correio, não tem entrevista (se tiver, é por telefone), muito tranquilo. Tudo isso demora de 3 a 6 meses.

Trabalho: tem dois tipos de visto de trabalho, um que você já precisa ter uma oferta de emprego do país e outro que você pede um open work visa, que é pra vir pro país com a permissão pra trabalhar. Esse último demora mais pra sair, mas sai. Outra forma é aplicar pra imigração permanente, que é um processo que leva uns 2 anos, tem muitas entrevistas, exige um bom nível de francês. Você chega sem emprego, mas o governo dá aulas de francês, cursos de como fazer um currículo, como enriquecer o currículo e como encontrar um emprego.

O governo exige que o estudante entre com alguma quantia fixa de dólar canadense? 

O estudante universitário estrangeiro paga mais caro que o estudante canadense. Nisso já tão inclusas as taxas de educação, que não são baratas, mas são mais baratas que nos Estados Unidos. As universidades (Concordia e McGill são anglófonas; UQAM é francófona) possuem programas de bolsa, e até algumas escolas também, mas para estudantes de até 25 anos. Cada universidade/escola tem sua dinâmica de pagamento: a cada semestre paga pra estudar, ou paga tudo de uma vez ou vai nas mensalidades. Aqui rolam empréstimos estudantis, que é o que a maioria dos canadenses faz. As escolas também são abertas a organizar esse pagamento com o aluno.

É fácil achar casa ou apartamento? É caro? E o transporte?

A melhor coisa que tem é morar no centro, Downtown, porque é lá que ficam as universidades, o comércio, os bares, as casas de show. Mas também é mais caro morar lá. Eu moro no bairro de LaSalle, que é bem grande. Ele tem 3 estações de metrô, e eu moro a 20 minutos de ônibus de uma delas, a Angrignon. Isso signifca que, pra chegar ao centro, eu gasto entre 40 minutos e 1 hora de ônibus+metrô. O bom é que é tudo interligado. Você compra um cartão de transporte (Opus Card) e todo mês carrega com CAN$ 75. Com ele você pega quantos ônibus e metrôs quiser durante o mês inteiro. A passagem unitária é de CAN $ 3, e ela dura 1 hora e meia. Ou seja, dá pra pegar o ônibus e, quando chegar na estação, entrar no metrô com a mesma passagem.

Os apartamentos na região do centro são, na maioria, studios, que é basicamente um cômodo onde fica quarto + sala + cozinha, uma kitinete. O aluguel sai por uns 650 dólares em média. À medida que o tamanho do apartamento vai aumentando, aumenta o preço. Eles dão nomes aos apartamentos pelo tamanho. O studio também é chamado de 1 e 1/2 (o meio é o banheiro).

O 2 e 1/2 tem dois cômodos, quarto e sala + cozinha; o 3 e 1/2 tem quarto, sala e cozinha separados, três cômodos; o 4 e 1/2 tem quatro cômodos, sendo dois quartos, sala, cozinha separada e banheiro. Sim, é comum as casas só terem um banheiro. Como moro mais afastada do centro, pago 650 dólares em um 4 e 1/2, que é o preço de um studio em downtown.

É fácil achar um lugar pra morar desde que você chegue em junho. Dia 1 de julho é o dia oficial da mudança em Montreal. Todos os contratos acabam e começam nessa data. A gente deu sorte porque veio pra uma homestay (casa de família que recebe intercambistas) indicada por uma amiga, e o casal tinha um apartamento vizinho pra alugar. Eles ofereceram pra gente tb a internet deles e a TV a cabo, então não tivemos como resistir!

Também é comum a galera sublocar os espaços ou transferir o contrato pra outra pessoa em outras épocas do ano.

Alimentação aí sai caro?

Alimentação não é barata. Quer dizer, tem coisas caras e coisas baratas. Ovo é caro. Pago 3,50 dólares em uma dúzia, às vezes um pouco menos, porque, toda quinta-feira os supermercados lançam promoções, então dá pra ir em cada lugar e comprar o que tá mais barato naquele lugar.

Água é muito barato, mas também dá pra tomar da torneira. Carne é mais ou menos caro, e frango custa mais ou menos a mesma coisa que carne. Mas sempre dá pra pegar promoções. Semana passada comprei 1kg de sobrecoxas já temperadas e empanadas pra fazer no forno por 3 dólares. 1 kg de camarão é 10 dólares, 1 kg de bife de chorizo é 10 dólares… A gente vai comprando de acordo com o que tá mais barato naquela semana.

Que tipos de emprego os brasileiros conseguem aí?

Conheci uns brasileiros aqui que têm histórias diferentes: um cara da computação que trabalhava com videogames imigrou e conseguiu emprego na Electronic Arts e hoje tá na Ubisoft; um cara que é engenheiro, imigrou e trabalha como engenheiro nas obras da cidade; uma terapeuta ocupacional que imigrou e trabalha na área dela; uma arquiteta que veio pra cá porque não queria ser arquiteta e trabalha em uma empresa de telefonia.

A verdade é que, uma vez que você tá aqui, com visto de trabalho certinho, não tem diferença. Tem muito imigrante, a cidade é multicultural mesmo. E, como todo mundo ganha bem, o costume da galera aqui nem é muito se formar e trabalhar na área. É de se formar porque é legal ou fazer um curso profissionalizante e ter um emprego qualquer, porque dá pra viver com tranquilidade.

Você sempre quis ir pra Montreal? Por que não Toronto?

O que eu sempre li foi que Toronto era a Nova York do Canadá e que Montreal era a Paris do Canadá. Eu não conheço Toronto, mas conheço Nova York e Paris e posso dizer que Montreal tem muito das duas cidades, na verdade. Em Toronto só se fala inglês, tem muitos prédios altos e aquele ritmo de metrópole. Montreal tem poucos arranha-céus, fala francês e inglês, é cheia de parques e muito charmosa. Decidimos por Montreal porque o Igor veio estudar produção musical, e, se você procura uma cidade artisticamente interessante, ela é Montreal. Na turma dele, tem gente de Ottawa, de Calgary e de fora também, como do México, da Jamaica… Todo mundo vem pra cá porque aqui é o centro cultural mesmo.

Quais os contras de morar no Canadá?

O que eu tenho sentido mais dificuldade é com a língua. Porque a galera fala um francês com sotaque diferente e muito rápido, e o inglês também é muito rápido. Mesmo já tendo viajado, tendo estudado inglês a vida inteira, é na rua que a gente percebe que toda a gramática que a gente aprendeu não importa muito. A maior parte das pessoas é bilíngue, mas tem áreas da cidade, principalmente as mais afastadas do centro, que são totalmente francófonas. Fui num mercado de pulgas semana passada querendo falar inglês, e a galera pedia o francês. Aí tinha que rolar, né?

Não ter carro é uma coisa muito massa, porque o transporte funciona. Você baixa o aplicativo da empresa de transporte, que é a STM, e tem todos os horários de todos os ônibus e metrôs da cidade. A STM atende até pouco depois da meia-noite, mas a cidade é tão acostumada com o serviço de metrô que até os shows e as festas começam cedo, pra poder terminar a tempo de todo mundo pegar o metrô de volta pra casa. E tem as baladas que vão até de manhã, pra pessoa ficar esperando o sol nascer pra pegar o metrô também.

É muito prático, mas, às vezes, não ter carro faz falta. O metrô cobre bem a cidade, mas muita coisa só é atendida por ônibus. Aí a gente se perde, a gente anda muuuuuitoo e acaba perdendo um dia inteiro. Por outro lado, gente só conhece a cidade mesmo andando, né? E aqui é tudo bem plano, rola demais caminhar pra todo lugar. Rola também bicicleta. Tem ciclovia por quase toda a cidade, e eu só não comprei bike ainda porque o inverno tá chega não chega, e não vai rolar andar de bike no gelo (tem gente que anda, mas eu sou ótima pra cair). Mas é só chegar a primavera que eu compro uma.

O que é preciso pra conseguir morar “em definitivo”?

Como eu adiantei ali em cima, é um processo de uns 2 anos pra conseguir fazer a imigração. Tem que saber francês pra conseguir encarar uma entrevista em francês. E tem um sistema de pontos que você vai acumulando pra ser aprovado ou não. Se tem até 25 anos, ganha tantos pontos. Se tem entre 25 e 30, menos pontos. Se tiver formação universitária, mais pontos. Se for casado, mais pontos. Se tiver filhos, mais pontos. Se fala as duas línguas, mais pontos. Mas não desanimem achando que só vem família, porque não é assim! Todo mundo que a gente conhece que imigrou veio pra cá solteiro!

No site Imigração Canadá tem um teste desses pra você fazer e descobrir qual é a sua pontuação. Aí eles aconselham a pessoa a entrar com o processo quando ela atingir uma pontuação X. Se você não tem ainda, você tem tempo pra conseguir os pontos, tipo ir melhorando as línguas.

Se eu entrar como estudante, posso dar entrada no visto de imigração? Mesmo morando no Canadá como estudante eu posso concorrer à imigração?

Se entrar como estudante, com seis meses já pode mudar o status do visto pra trabalho, mesmo que não tenha emprego ainda. Você se coloca à disposição pra trabalhar oficialmente. Com três meses, você já tem direito à carteirinha da saúde do Canadá, o Medicare, como todos os cidadãos canadenses possuem. A saúde é pública e funciona! Com dois anos trabalhando aqui, pode dar entrada no pedido de imigração, mas agora vai mudar pra apenas 1 ano (tem um post no Canadá pra Brasileiros justamente sobre as novidades no processo de imigração, que vai ficar mais fácil).

O que faz do Canadá um lugar melhor que o Brasil? E o que no Brasil é melhor? Do que tu sente falta?

Se não fosse pelas pessoas e pela minha carreira, não voltaria pro Brasil. É muito legal morar num lugar que tem as quatro estações, que muda o tempo todo, que tem sempre shows legais e eventos grátis. Com o incentivo à imigração que rolou há uns anos, Montreal é uma cidade que tem muita gente jovem e criativa, além de ser um lugar muito seguro e familiar. Em qualidade de vida, é muito à frente do Brasil.

Mas claro que o Brasil tem suas vantagens, desde as econômicas, como poder parcelar as compras (isso tá chegando aqui agora, e é preciso ter um histórico de crédito de dois anos pra poder comprar parcelado), nos serviços de internet (quase toda internet rápida é ilimitada no Brasil, mas aqui você paga pelo tráfego, o que pode aumentar muito sua conta se você baixa muita coisa ou usa muito o streaming – Netflix aqui tá sendo supercontrolado) e de telefonia (aqui a gente paga até pra receber mensagens de texto. Claro que depende do plano, mas é um absurdo isso!) e nas questões interpessoais mesmo.

As pessoas são muuuito simpáticas, adoram conversar com você em todo lugar, mas elas têm uma cultura diferente da sua, hábitos diferentes dos seus, desde hábitos alimentares até a questão do toque. Elas são receptivas, dão dois beijinhos, mas é difícil ver um casal canadense de mãos dadas na rua ou se beijando. Quando tem gente se beijando pode crer que é estrangeiro.

Senti muita falta da comida brasileira assim que cheguei, porque a comida é a nossa casa. Aqui não tem pão carioquinha, mas tem baguete quentinha no supermercado. E, com o tempo, a gente foi descobrindo lugares que vendem produtos brasileiros. Aqui a gente faz farofa, tapioca, cuscuz, compra macaxeira… E o bairro mais legal, que é o Plâteau Mont-Royal (é o bairro descolado, que tem pubs, lugares alternativos de show, de festa, de rock, de moda), é também conhecido como o bairro português, que tem vários mercadinhos e restaurantes portugueses. E português e brasileiro, fora de Portugal e do Brasil, é tudo a mesma coisa. Tá em casa.

E o frio? A gente vive em 30 graus, como dá pra aguentar tanto frio?

É incrível como o corpo se acostuma. A gente chegou aqui no comecinho do outono, ainda fazendo 25 graus, no dia 10 de setembro. Botava casaquinho bem leve, só pro caso de uma mudança repentina de temperatura, mas morria de calor. Em outubro, a temperatura começou a cair aos poucos. 19 graus, 18. Com 13 eu já tava sofrendo em casa (moramos do lado do rio St. Laurent, uma vista linda e um vento imenso!), mesmo com tudo fechado. Quando dava 7 graus e, dias depois, voltava pros 12, eu percebia que 12 era de boa. E assim tá sendo à medida que a temperatura cai.

Semana passada amanheceu -19 um dia, mas a gente nem percebeu. Ligamos o aquecimento quando as temperaturas começaram a ficar entre 2 e -2, e aí é de boa mesmo. A gente fica de calça de flanela, casaquinho e meia em casa. Mas ontem, por exemplo, fez -10, mas com um sol lindo. Se agasalhando bem, é de boa andar na rua. Todas as paradas são uma cabinezinha fechada, pra ninguém ficar ao relento, e todos os lugares têm aquecimento. Saiu do frio, entrou no calor. Saiu do calor, até acha bom entrar no frio, porque, de casaco no quente, já viu, né? hehehe

Já começou a nevar, e é muito legal quando neva. Tem menos vento, e, apesar de ter gelo caindo do céu, os dias são mais quentes. O dia de -19 foi logo depois de um dia inteiro nevando. Parou de nevar, caiu a temperatura de uma vez. Mas é massa sair na neve, que é uma chuva que não molha. Só tem que ter cuidado com a neve no chão, que, quando começa a derreter, é ótima pra escorregar! hehe

♥ ♥ ♥

Gostaram? Se tiverem mais dúvidas, curiosidades, perguntas, correções, é só deixar um comentário que eu respondo com prazer!

♥ ♥ ♥

Respondendo o comentário do Lucas:

Oi, Lucas! Que massa que você tá vindo passar uns dias em Montreal! É muito massa!

Vou começar as dicas pelo Vieux Port, o porto velho, que fica na Old Montreal. O visual é lindo, e você pode caminhar pela Promenade des Artistes, um calçadão grande e bonito. É lá que ficam o Cirque du Soleil, a Biosfera, o museu de ciências e um rinque de patinação. É uma área boêmia, com restaurantes, bares (tudo meio caro) e a festa de réveillon tradicional da cidade. O acesso é pelo metrô Champ-de-Mars. Pelo metrô Place D’Armes você também chega e, de quebra, vê o Palais de Congrès, a entrada de Chinatown e, na rua Notre Dame, a basílica de Notre Dame.

Outro lugar legal que fica perto é o Quartier des Spectacles, que você acessa pelo metrô Place des Arts. A estação é linda, tem umas instalações de arte, projeções, e isso vai pro meio da rua também. Lá tem teatros, museus, e a saída da estação é na rua St. Catherine, outro dos lugares mais importantes de Montreal.

Nessa altura, a St. Catherine tem restaurantes e bares. Na altura dos metrôs Peel e McGill, ela tem mais lojas (tipo Apple Store e Louis Vuitton), na do Guy-Concordia, ela volta a ter bares. Tem karaokê, sinuca, boliche, fliperama… Andando um pouco pro lado esquerdo (supondo que você saiu da estação e está de frente pra St. Catherine), você cruza com a rua Crescent, que é só de pubs, boates e vida noturna. Não sei indicar nenhum lugar em específico, porque não gosto muito desse clima.

Prefiro o Mont-Royal, que é a vizinhança portuguesa de Montreal. Lá tem uma praça em homenagem a Portugal, bancos com poemas de Eça de Queiroz e três ruas sensacionais: a Mont-Royal, que é a da estação, cheia de livrarias, sebos, lojas de discos novos e usados, moda autoral, fotografia e coisas hipster em geral; a St. Dennis, que tem várias lojas legais também, tipo Urban Outfitters, lanchonetes e dois bares indies, o Quais de Brumes, que tem show, e o Rockette, que tem balcão e discotecagem; e a St. Laurent, que tem tudo isso (o Divan Orange tem shows) e comércios bizarros e lojas de instrumentos musicais.

Por fim, tem o metrô Viau, que dá direto no Estádio Olímpico. No complexo do estádio tem a Torre de Montreal, que é um observatório que você sobe de bondinho, tem o Biodôme, que tipo um zoológico, e o Jardim Botânico, que é supergrande e tem, além de Jardins Japonês e Chinês, um Insectarium. Não sei como fica no inverno, mas eu fui no outono e gostei!

♥ ♥ ♥

Oba, mais perguntas! Agora da Carol, que deixou comentário:

Não falo francês e o meu intuito é aprender o inglês. Você acha Montreal uma boa opção?

Tenho duas amigas que vieram antes de mim pra Montreal pra estudar inglês. Tem muito intercambista que vem pra estudar a língua, mesmo sem saber nada de francês. O idioma predominante nos ônibus e nos metrôs é o francês. Mas, andando pelo centro da cidade, ouve-se muito mais inglês do que francês. Na TV, tem os canais em inglês e os canais em francês. Assim também com as revistas, os livros, as rádios, as escolas… Em qualquer lugar (a não ser nos mais bizarros, tipo um mercado de pulgas beeeem longe do centro), as pessoas dizem “Bonjour, hi”, e acompanham você no idioma que você responder. Acho que Montreal é muito rica por essa diversidade!

Tem muito brasileiro em Montreal? Não quero fazer um investimento tão alto para ficar falando português, pois é natural que isso aconteça.

Dizem que tem muito brasileiro em Montreal, mas eu não convivo com muitos. No meu curso, tinha um cara de Curitiba, mas ele saiu logo. É muito mais fácil esbarrar com brasileiros quando você vai pra uma escola de línguas, mas, pra ser sincera, acho que é assim em muitos lugares do mundo! Talvez em cidades menores ou menos conhecidas tenha menos brasileiros, mas nós somos quase uma peste dominando o mundo. Tenho um amigo que tá morando em Vancouver e, assim que chegou, conheceu dois brasileiros na escola de línguas. Eles dividiam apartamento, mas tinham uma regra: era proibido falar português. Agora ele tá morando com coreanos, aí só rola inglês mesmo. Tudo é questão de se adaptar!

Você acha que nesses três meses deu para melhorar o seu inglês?

Muito! E isso porque eu trabalho pro Brasil pela internet e falo português direto em casa com o marido. Imagina indo pra uma escola e conhecendo gente de outros lugares de mundo! As escolas de línguas sempre têm eventos fora do horário de aula, viagens com a turma, e, como todo mundo tá longe de casa, acaba rolando uma superinteração. Não tem como o seu inglês não desenferrujar, prometo!