Power Dressing – a roupa que empodera!

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Michelle Obama para The Verge
Michelle Obama para The Verge

O Power Dressing – em tradução bem meia-boca, vestindo poder – surgiu no final dos anos 70 e na década de 80, um período de grande emancipação feminina e de uma maior presença de mulheres no mercado de trabalho, principalmente o corporativo. Em seus primeiros anos, essa forma de vestir tinha como objetivo fortalecer a figura feminina através de sua roupa, tornando a sua presença “notável” em um ambiente dominado por homens.

Sabe aquele visual bem oitentista de terninhos com saias na altura do joelho, ombreiras gigantes, silhuetas meio quadradas e modelagens maximizadas que escondem o corpo? Tudo isso era a cara do power dressing da época. A moda pegou emprestadas peças que faziam parte do guarda-roupa masculino para dar autoridade à mulher no ambiente de trabalho, deixando ela o menos sexualizada possível para garantir respeito, mas ainda “feminina o suficiente” para não incomodar – ou seja, a figura da mulher passou a ser um reflexo do que os homens já vestiam, e a nossa visão de “poder” continuou ligada à figura masculina. Duas das figuras mais icônicas do Power dressing da época foram a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e a Princesa Diana.

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Power dressing em seus primórdios

Apesar de ser fácil de observar, para os nossos olhos mais treinados de hoje, que ainda havia muito machismo embutido da origem desse estilo de vestimenta, ele foi uma das formas que as mulheres da época encontraram para se fazerem ser notadas como uma força de trabalho a ser considerada para profissões e posições profissionais que eram dominadas por homens. Elas usaram regras do patriarcado como facilitadoras do processo de se infiltrar e ocupar espaços que antes não eram delas.

Com o feminismo ganhando um novo fôlego nos últimos anos, e o empoderamento feminino tomando conta das nossas mentes e corações (e também da mídia), era bem natural que essa tendência fosse voltar com força total. Dessa vez, felizmente, ela vem repaginada para valorizar a mulher como ela é e não mais tentar torná-la visualmente equivalente a um homem.

O novo Power Dressing traz muito da “liberdade de ser” que a mulher tem buscado na sociedade, e a traduz para vestimentas que são, sim, carregadas de poder, mas um poder que respeita o feminino em suas diversas formas.

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O “novo” Power Dressing

Por isso, essa nova “versão” também tem ombros fortes, mas sem exageros – nada de ombreiras tão largas que te deixam com cara de paredão. A cintura está mais marcada, a silhueta mais suave, e é escolha sua ressaltar (ou não) as suas curvas. Os seios também não estão mais escondidos por decotes altos, e as terceiras-peças nem sempre estão acompanhadas de um par equivalente na parte de baixo – ou seja, o terninho/conjuntinho não é obrigatório!

Outra diferença marcante são as cores: nada de obrigatoriedade se vestir somente com cores neutras, discretas e sóbrias. Cores mais vibrantes ganharam espaço, principalmente nas peças mais marcantes. Os acessórios passaram a ir muito além das clássicas pérolas e pequenos brilhantes e se tornaram uma forma de expressar gostos pessoais. Os materiais de fabricação das roupas também estão mais gostosos, leves e maleáveis… Ou seja: só felicidade!

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Olivia Pope e Claire Underwood – as mulheres “fodonas”da ficção.

Algumas personagens da ficção adeptas do Power Dressing são Olivia Pope, de Scandal, e Claire Underwood, de House of Cards. Mas não faltam exemplos também da vida real: Michelle Obama, Victoria Beckham, Amal Clooney, Sophia Amoruso e Angelina Jolie são alguns dos ícones dessa nova era de mulheres “fodonas”.

Se vocês querem saber a minha opinião, acho que o novo Power Dressing quer mais é que a gente se sinta poderosa sendo quem a gente é, e não mais tentando esconder a nossa feminilidade e personalidade atrás de uma carapaça. Então, se você tá se sentindo afim de se inspirar nesse novo jeito de “vestir poder”, aproveite as inspirações nesse post e brilhe muito! 

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As “superpoderosas” da vida real